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28 de julho de 2021

Inflação de dois dígitos entra no radar do mercado


A perspectiva de uma inflação de dois dígitos começa a preocupar o mercado diante do resultado do IPCA-15, da semana passada, que veio mais alto que o previsto e chegou a 8,59% em 12 meses.

Yana Dumaresq, ex-secretária especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, avalia que o momento é de precaução e cautela. “O fim dessa crise e trajetória de recuperação são uma incógnita para todos nós”, afirmou ela durante o Radar Comex, bate-papo com especialistas promovido pelo Banco Ourinvest nesta terça-feira 27/07.

No caso do Brasil, segundo Yana, há elementos complexos para retomada – até porque, na pandemia, gastamos como país desenvolvido, o que provoca pressão fiscal. “Além disso, temos um momento de turbulência política muito grande. E isso coloca mais intensidade à dificuldade de uma trajetória de recuperação mais clara”, disse.

Yana acredita que teremos um vigor até por conta do aumento da vacinação. “A própria crise da covid-19 é algo de aversão a risco, de espera para ver o que vai acontecer e qualquer instabilidade de risco político eleva essa tensão”, destacou.

Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, classificou julho como uma montanha-russa. No início do mês, a impressão era de que o pior estava para trás – com taxa de câmbio batendo R$ 4,90 –, mas o cenário virou nas últimas semanas com o aumento da aversão nos mercados globais.

“Aquele temor com a inflação dos EUA, que começou lá no início do ano, ainda segue. A inflação americana chegou a 5,40% e a possibilidade de aumento de taxas de juros – movimento flight to quality, que mexe com mercados emergentes – está cada vez mais real e mais próxima. Além disso, temos uma nova variante no radar e aversão a risco virou o nome do jogo”, avaliou.

A economista ressaltou que, nesse contexto, o real, como sempre, teve o pior desempenho entre os pares. “O Brasil está com filme um pouco queimado no mercado externo”, mencionou.

Para ela, o que tem também assustado no Brasil é a inflação. “Já estamos falando em algo em dois dígitos – sendo que câmbio pesou nessa balança junto com serviço. O IPCA-15, divulgado na semana passada, veio mais alto que o previsto e aumenta o risco de a inflação (pelo IPCA) chegar a 9% no acumulado de 12 meses”, afirmou.

REFORMAS

Fernanda alertou que o Brasil necessita de investimento estrangeiro para que a economia possa avançar. “Nosso problema do PIB é a falta de investimento consistente, e a Reforma Tributária é um dispositivo importante para dar segurança aos olhos o investidor. A questão ESG ganhou força globalmente, ou seja, o país precisa encarar esse tema como algo de prioridade”, disse.

Welber Barral, Estrategista de Comércio Exterior e conselheiro da Câmara do Comércio Americana (Amcham), chamou a atenção sobre a importância da reforma tributária para o país no cenário internacional. “Outro ponto, é que nos tornamos aos olhos do mercado internacional um grande vilão de políticas ambientais. E isso afasta investidor”, classificou Barral.

Yana reforçou que há um consenso sobre a importância de uma Reforma Tributária, mas a questão é ‘como’ ela será conduzida. “Havia um projeto na Câmara amadurecido, mas com pontos de divergências entre Estado, União e Municípios. Optou-se por algo mais fragmentado, mas dentro de preceitos políticos. Acredito que nada substitui o diálogo e o tempo de amadurecimento. Podemos ter um campo reformista no campo tributária, embora não acredito que seja tão profundo”, mencionou.

Segundo ela, o Brasil também precisa marcar uma posição mais efetiva na questão ambiental. “A questão ESG ganhou força, e o Brasil precisa acompanhar esse movimento global e responder com políticas ambientais”.

 

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