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7 de outubro de 2019

Veia empreendedora é sufocada no Brasil, diz CEO da Votorantim


João Miranda comenta em entrevista ao UM BRASIL as reformas e ações com potencial de alavancar a produtividade e criar um espaço mais promissor aos negócios

O Brasil tem uma veia empreendedora muito grande, mas ela é bastante sufocada por vários aspectos burocráticos que dificultam tanto o planejamento de novos negócios quanto sua execução. Essa avaliação é do executivo João Miranda, CEO do grupo Votorantim, multinacional que completou 100 anos em 2018.

 

Falando ao cientista político Humberto Dantas em entrevista ao UM BRASIL, uma iniciativa da FecomercioSP, ele explica vários dos elementos que são impeditivos a um espaço mais oportuno aos negócios. Um deles é o ambiente tributário. Para ele, as propostas de Reforma Tributária em debate podem ter um efeito positivo no contexto do relatório Doing Business, principalmente quanto à simplificação do sistema.

“O sistema tributário que temos é de uma complexidade antidemocrática, pois além da burocracia para se criar uma companhia nova, da quantidade de leis e regulações – muitas das quais são complexas e precisam ser interpretadas para aplicação –, inibe a inovação e o empreendedorismo”, critica. Uma mudança urgente neste sentido, pontua, é reformar sem aumentar a regressividade do sistema, de modo a reduzir o peso na pirâmide social.

 

Ele acredita que, mesmo com todas essas barreiras burocráticas que dificultam o desenvolvimento dos negócios, as empresas podem compactuar com o desenvolvimento regional estando aliadas ao poder público ou às sociedades organizadas, ajudando, “de forma legítima e positiva”, a melhorar a capacidade da gestão pública municipal com o desenvolvimento de metas e métricas, projetos e também com acompanhamento.

 

Ele pontua ainda que o foco dessas mudanças, principalmente das que dizem respeito ao papel econômico do Estado, deve ser na produtividade. “A produtividade do Estado no Brasil vem sendo negativa. O setor público equivale a mais ou menos 40% do PIB – de 100%, 40% anda para trás ou anda devagar demais; fica muito pesado para os outros 60%. É essencial olhar pela ótica da produtividade do setor público nos serviços que ele presta, desde licenciamento até hospitais”, conclui.

 

 

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